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Estudo de caso: Salão do Automóvel e a gestão de crise de comunicação

Salão do Automóvel 2016

Gerenciamento de Crise da organizadora se mostra precário perante às desistências do evento ao fazer declarações à imprensa e nas redes sociais. 

O modelo de salões de automóveis vem decaindo a cada ano. Eventos ao redor do mundo já sentem este efeito e no Brasil não foi diferente. 

Devido ao fiasco desta edição, por exemplo, a organização do Salão de Frankfurt já informou que a próxima edição será realizada em outro lugar. As cidades cogitadas são Berlim, Hamburgo ou Munique. 

Para a edição de 2020 do Salão do Automóvel de São Paulo, 15 marcas já confirmaram que ficarão fora do maior evento de automóveis do país, entre elas Chevrolet, Toyota e Hyundai. 

Cada ausência traz consigo um prejuízo de até 20 milhões à organizadora do evento Reed Exhibitions Alcantara Machado.  

Na edição de 2018, doze marcas já haviam deixado de participar e, para esta edição, até o momento, a lista de ausentes é maior do que a dos participantes confirmados. 

O principal motivo alegado pelas marcas é o baixo retorno para um investimento que pode chegar a 15 milhões de reais. 

O metro quadrado vazio da exposição tem preço inicial superior a mil reais. Com estrutura de energia, água e internet, este valor começa a crescer e estima-se que o metro quadrado de montagem chegue a R$ 1.800. Só a tarifa diária de energia é de mais de R$ 100.000. 

O diretor executivo de marketing da Chevrolet, Hermann Mahnke, em entrevista à revista Exame, afirmou que “o salão do automóvel é mais uma competição da indústria, e não queremos competir para saber quem tem o melhor estande. Estamos mais focados em atender às necessidades dos clientes”. 

O executivo revela que a montadora irá concentrar os esforços no digital, que já representa cerca de 25% de todas as vendas da marca no varejo. 

A tendência é que as empresas participem mais de eventos sobre tecnologia para se aproximar dos consumidores. “É um caminho sem volta”, completa Manhke. 

Diante das desistências, diretor da Reed afirma que as agências devem ser mais modestas 

Para tornar o feirão mais atrativo, o diretor do evento declarou à imprensa que buscou inspirações na CES (Consumer Eletronic Show), a maior feira de tecnologia do planeta. 

Mas, em declaração à imprensa, colocou a culpa do fracasso do evento no monopólio das agências e na visão das montadoras ao afirmar que a solução seria a adoção de estruturas de estandes mais simples . 

Mesmo diante do cenário precário, o posicionamento oficial da empresa demonstra despreparo em lidar com a situação. 

O investimento na montagem do estande é muito maior do que o preço do espaço. Pode haver opções com estrutura mais enxuta”, afirmou. 

Entretanto, o grande atrativo do feirão do automóvel sempre foram os shows das marcas em stands glamurosos e ações interativas para os visitantes. 

O Salão do Automóvel no Brasil que já demonstra estar sofrendo com as desistências, a partir do posicionamento de seus representantes, parece que está rumando para uma última edição. Ao menos no formato conhecido. 

Se não bastasse, a queda de braço em torno dessa edição do Salão foi parar nas redes sociais. Um executivo da área de eventos fez uma postagem em suas redes sociais sobre a precariedade do evento e foi retrucado pelo próprio vice-presidente da organizadora, que o acusou de ter a “mente atrasada”. 

Ações concretas começam a tomar forma 

Depois de demonstrar dificuldade em gerenciar a crise de comunicação, a Reed começou a anunciar algumas ações para atender algumas críticas das montadoras, como a possibilidade de venda de veículos durante o Salão, por meio de concessionários e a mensuração dos visitantes que passam pelos estandes. 

São ações que demonstram iniciativa mas não sanam todos os problemas. Muito menos apontam se haverá fôlego e possibilidade de se resgatar o brilho do evento mais importante da indústria automotiva no Brasil. 

Nenhuma empresa ou setor, por mais tradicional ou forte que pareça ser, está livre de passar por momentos de dificuldade. Nessas horas é o que o planejamento prévio, a execução correta de um plano de gerenciamento de crise com devido treinamento e preparo de seus executivos podem fazer a diferença numa crise de comunicação.  

Esse é um caso que, ao invés de trazer clareza e soluções para os problemas, as ações e declarações descoordenadas contribuíram para uma escalada da crise. 

O evento estava confirmado para acontecer entre os dias 12 e 22 de novembro, porém foi adiado para o ano que vem. 

Postergação do evento seria devido à alta do dólar, dizem organizadores 

A ANFAVEA – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores – em nome da organização do Salão do Automóvel confirmou na última semana que o evento será adiado para 2021.  

Os porta-vozes afirmaram à imprensa que o motivo seria a alta do dólar somada às desistências já confirmadas. 

Reed Exhibitions também revelou que estuda promover um evento menor em substituição ao salão, ainda em novembro deste ano. 

A solução foi uma medida paliativa para evitar um evento vazio já que, até o momento, apenas três empresas haviam confirmado presença, a VW, FCA, Renault e a Nissan. 

Outro resultado mais catastrófico seria o cancelamento definitivo do Salão ou seu adiamento para 2022, sem garantias de realização. 

Com a prorrogação, a Reed terá tempo para convencer as desistentes à voltarem para o evento e, claro, criar uma estratégia de comunicação melhor para lidar com elas. 

Crédito da foto – Paulo Guereta, Salão do Automóvel 2016, São Paulo

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